Se todos os dias fossem inundados de sorrisos e ausentes de lágrimas e aflições. Ao deitarmos em nossa cama ao final dos mesmos, não teríamos aprendido completamente nada.
Lágrimas e tropeços são essenciais, gozos são as consequências...
Jordano Casanova
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Dor
A dor nos atinge solateiramente,
Bruscamente ela não causaria tanto efeito.
Vem na madrugada esperando nosso sono,
E quando menos se espera ela se apresenta.
À vezes se fantasia com certos apelidos:
Saudade,solidão,desilusão,desgraça...
O que é dor aos seus olhos?
Aos meus é apenas mais um fato...
Um sorriso covarde,um abraço maldito
Pouco nos faz entristecer.
O que te machuca agora?
Alguém te espera lá fora?
As páginas desse livro nos dão um recado,
Esses versos apenas o completa.
Sua presença me completa,
A amizade me completa:em sentido,tom,cor e dor.
Jordano Casanova
Bruscamente ela não causaria tanto efeito.
Vem na madrugada esperando nosso sono,
E quando menos se espera ela se apresenta.
À vezes se fantasia com certos apelidos:
Saudade,solidão,desilusão,desgraça...
O que é dor aos seus olhos?
Aos meus é apenas mais um fato...
Um sorriso covarde,um abraço maldito
Pouco nos faz entristecer.
O que te machuca agora?
Alguém te espera lá fora?
As páginas desse livro nos dão um recado,
Esses versos apenas o completa.
Sua presença me completa,
A amizade me completa:em sentido,tom,cor e dor.
Jordano Casanova
domingo, 11 de outubro de 2009
O Beijo
O beijo envolve, se desloca
Cumprimenta e por fim diz adeus.
Encaixa, o beijo expulsa
Trai, o beijo se defende.
O beijo mente, se arrepende
Ama, o beijo faz sofrer.
Nos envolve de prazer, acoberta de encanto,
Esfria, aquece, ferve, borbulha e esfria novamente.
O beijo quebra distância,
Destrói todo e qualquer preconceito.
Une nações e corações.
Beijo é egoísta, pende para seu único favor.
Enfrenta hipocrisia causada pelos mesmos que também beijam,
Beijo é ódio, flerte... As vezes, bem as vezes, beijo também é amor.
Jordano Casanova
Cumprimenta e por fim diz adeus.
Encaixa, o beijo expulsa
Trai, o beijo se defende.
O beijo mente, se arrepende
Ama, o beijo faz sofrer.
Nos envolve de prazer, acoberta de encanto,
Esfria, aquece, ferve, borbulha e esfria novamente.
O beijo quebra distância,
Destrói todo e qualquer preconceito.
Une nações e corações.
Beijo é egoísta, pende para seu único favor.
Enfrenta hipocrisia causada pelos mesmos que também beijam,
Beijo é ódio, flerte... As vezes, bem as vezes, beijo também é amor.
Jordano Casanova
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Suave
Suaves são os beijos das putas,
Que recebem para tal ofício.
Suaves são os goles dos bêbados esfarrecidos,
Pois deles vêm a maturidade d'alma.
Suaves são os golpes dos sem caráter,
Pois são desprendidos das virtudes da humanidade.
Suaves também são os gritos dos pobres,
Que tem berros que não atingem ninguém.
Suave é quem chora,
Pois naquele instante encontra o passado.
Suaves somos todos,
Com nossos defeitos renegados.
Jordano Casanova
Que recebem para tal ofício.
Suaves são os goles dos bêbados esfarrecidos,
Pois deles vêm a maturidade d'alma.
Suaves são os golpes dos sem caráter,
Pois são desprendidos das virtudes da humanidade.
Suaves também são os gritos dos pobres,
Que tem berros que não atingem ninguém.
Suave é quem chora,
Pois naquele instante encontra o passado.
Suaves somos todos,
Com nossos defeitos renegados.
Jordano Casanova
sábado, 13 de junho de 2009
Palavras Bonitas
Banana,caramelo,beijo molhado.
Acerola,tuti-fruti,couve-flor.
Mãe!Hoje quero abacate batido com mamão,
E aquela bolacha de rapadura que derrete com café!
Cheiro de terra,gosto de infância,
Quantas palavras bonitas!
É tão bom escrever palavras assim.
É bom escrever sem vergonha na cara,
A escrita pra mim é praticamente uma tara!
Não sei viver sem...
Pé de moleque ,goiabada com queijo,
Feche os olhos e me diga um desejo!
Farei de tudo para realizá-lo!
Palavras bonitas,saem sem eu perceber!
Se eu premeditasse,não seria tão bom assim.
Que falta de vergonha,antes tinha vergonha!
Agora escrevo o que vem!
Jordano Casanova
Acerola,tuti-fruti,couve-flor.
Mãe!Hoje quero abacate batido com mamão,
E aquela bolacha de rapadura que derrete com café!
Cheiro de terra,gosto de infância,
Quantas palavras bonitas!
É tão bom escrever palavras assim.
É bom escrever sem vergonha na cara,
A escrita pra mim é praticamente uma tara!
Não sei viver sem...
Pé de moleque ,goiabada com queijo,
Feche os olhos e me diga um desejo!
Farei de tudo para realizá-lo!
Palavras bonitas,saem sem eu perceber!
Se eu premeditasse,não seria tão bom assim.
Que falta de vergonha,antes tinha vergonha!
Agora escrevo o que vem!
Jordano Casanova
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Amiga
Vidas distintas,opostas,incógnitas imperfeitas
Juntadas pelo destino oblíquo
Que resolve brincar de fazer amor.
Nos faz ter necessidade da pessoa que nunca imaginamos um dia conhecer,
E que machuca se não chamá-la de amiga.
Mundo estranho esse...
Onde as mesmas pessoas que erram
Nos fazem felizes por alguns instantes
Ou até mesmo pelo resto de nossas vidas.
Se chega a hora da despedida
Sei que logo posso voltar a vela,
E re-vela,re-vela e re-vela em tudo que imagino.
Palavra obscura,
Difícil de ser decifrada
Se te amo tanto e não sei nomear,
Nada melhor do que chamá-la de amiga.
Jordano Casanova
Juntadas pelo destino oblíquo
Que resolve brincar de fazer amor.
Nos faz ter necessidade da pessoa que nunca imaginamos um dia conhecer,
E que machuca se não chamá-la de amiga.
Mundo estranho esse...
Onde as mesmas pessoas que erram
Nos fazem felizes por alguns instantes
Ou até mesmo pelo resto de nossas vidas.
Se chega a hora da despedida
Sei que logo posso voltar a vela,
E re-vela,re-vela e re-vela em tudo que imagino.
Palavra obscura,
Difícil de ser decifrada
Se te amo tanto e não sei nomear,
Nada melhor do que chamá-la de amiga.
Jordano Casanova
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Noite
Caminhando sozinho nas madrugadas eu me conheço melhor.Quando estou sozinho posso falar o que quero e dar-me as respostas que convém.As madrugadas para mim têm cheiro,cor e sentimento...
Nos becos encontro bêbados sujos e desgraçados bem mais interessantes que padres e políticos,a loucura revela a inteligência bem mais que um canudo ou uma medalha.
Os olhares das putas parecem sempre ter o que dizer;essas sim devem saber o verdadeiro gosto nojento da vida,elas sim têm muito mais a contar do que nós metidos a escritores.
Descobri também o porque do sol fugir.Durante a noite ele foge para que as pessoas percam a vergonha na cara,vergonha de viver,vergonha de gozar,vergonha de dizer o que bem entender.A claridade nos prende a uma realidade hipócrita e conservadora que todos querem distância,sem exceção,esse é o segredo mais intimo dos homens e mulheres direitos.
O álcool também é santo com sua libertação,é o verdadeiro tom Divino que abençoa a noite.Bebemos ele também durante o dia,para esquecermos da existência do sol e nos perdermos ali mesmo,na claridade e no ardor dos raios ultravioletas,imaginando que seja noite,e nos perdemos no puro e divino desejo.
Os sentimentos se aguçam mais na noite,o beijo se torna mais molhado e o “Eu te amo” é sempre mais sincero.No escuro as pupilas se dilatam,a dilatação é a prova do desespero das almas que sempre procuram algo sincero para se firmarem.
Na noite sou mais eu,mais natural,mais animal,ainda mais sozinho,pois assim me torno bem mais “humano”.
Nos becos encontro bêbados sujos e desgraçados bem mais interessantes que padres e políticos,a loucura revela a inteligência bem mais que um canudo ou uma medalha.
Os olhares das putas parecem sempre ter o que dizer;essas sim devem saber o verdadeiro gosto nojento da vida,elas sim têm muito mais a contar do que nós metidos a escritores.
Descobri também o porque do sol fugir.Durante a noite ele foge para que as pessoas percam a vergonha na cara,vergonha de viver,vergonha de gozar,vergonha de dizer o que bem entender.A claridade nos prende a uma realidade hipócrita e conservadora que todos querem distância,sem exceção,esse é o segredo mais intimo dos homens e mulheres direitos.
O álcool também é santo com sua libertação,é o verdadeiro tom Divino que abençoa a noite.Bebemos ele também durante o dia,para esquecermos da existência do sol e nos perdermos ali mesmo,na claridade e no ardor dos raios ultravioletas,imaginando que seja noite,e nos perdemos no puro e divino desejo.
Os sentimentos se aguçam mais na noite,o beijo se torna mais molhado e o “Eu te amo” é sempre mais sincero.No escuro as pupilas se dilatam,a dilatação é a prova do desespero das almas que sempre procuram algo sincero para se firmarem.
Na noite sou mais eu,mais natural,mais animal,ainda mais sozinho,pois assim me torno bem mais “humano”.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Afonso Misericórdia
Um rapaz jovem ,de cabelos castanhos ondulados aparecera na venda do Seu Arnaldo,tinha um rosto sombrio,não sorria,não falava muito,apenas o essencial.
De sete em sete dias ele aparecia na venda sobre seu cavalo preto,cavalo este muito bonito diga-se de passagem,cada qual mais misterioso que o outro.A única coisa que o moço dizia era que queria um caprichado trago de pinga e um torresmo para acompanhar seu gole.
Suas visitas passaram a ser mais frequentes,e os moradores daquela vila passaram a ficar mais curiosos com a presença do jovem,pois ninguém sabia suas origens e muito menos seus interesses naquela vila tão isolada.Alguns diziam ser um criminoso foragido,outros diziam que era um viajante solitário,outros diziam até que era uma alma penada,que estava vagando para pagar seus pecados,mas o certo é que estavam todos errados.
Afonso Misericórdia era seu nome,Veloz era o seu cavalo,juntos completavam sua missão no sertão da Bahia,missão que ninguém sabia ao certo qual era,Afonso soltou em certa prosa com Arnaldo que trabalhava para alguém muito grande,e que esse trabalho tomava seu sono,
tomou sua família,seus amigos,seu sossego,sua vida.
Os boatos cada vez eram maiores,mas ninguém ousava perguntar.
Na Vila Funchal havia um cabra metido a ser valente,seu nome era José Culhões,já estava ficando enfurecido com o misterioso homem,pois o moço não despertava apenas curiosidade,mas também despertava interesse em todas as mulheres que se encantavam com sua magia e com seus longos cabelos castanhos.
Era 03 de outubro de 1957 quando Afonso Misericórdia fizera sua última visita à Vila Funchal,desceu devagar de seu cavalo,amarrou Veloz junto ao poste,e pediu seu último trago à Afonso,em 5 segundos já havia acabado com sua cachaça,acendeu um pito de palha e se sentou.Na sua frente em sua mesma mesa se sentou José Culhões e lhe perguntou:
-Quem é você cabra misterioso?Acha que pode chegar em minha vila e nem se apresentar?
Afonso o olhou desviando o olhar da aba de seu chapéu e respondeu em um tom bem tranquilo:
-Não sou de seu interesse amigo,venho em uma missão de paz...
Depois dessas palavras Afonso colocou a mão no bolso de traz para tirar alguma coisa,sem pensar duas vezes José Culhões sacou
o revólver e deu dois tiros no jovem Afonso.O rapaz caiu agonizando no chão,segurando com muita força algo entre seus dedos.
José se precipitou e abriu as mãos do morto,tirando dela um colar em formato de coração.
José exibiu o colar para todos que estavam na Venda,enquanto o mostrava o colar se abriu,revelando duas fotos.
Naquele momento o silêncio foi profundo,gritos de desespero foram ouvidos a léguas de distância,uma foto era de Maria Antonieta,mãe de José Culhões,a outra foto era de Afonso Misericórdia,seu irmão desaparecido há 15 anos e que ali estava a procura de seus entes..
José foi encontrado morto dois dias depois,com o mesmo colar apertado em suas mãos e com uma bala cravada no peito...
De sete em sete dias ele aparecia na venda sobre seu cavalo preto,cavalo este muito bonito diga-se de passagem,cada qual mais misterioso que o outro.A única coisa que o moço dizia era que queria um caprichado trago de pinga e um torresmo para acompanhar seu gole.
Suas visitas passaram a ser mais frequentes,e os moradores daquela vila passaram a ficar mais curiosos com a presença do jovem,pois ninguém sabia suas origens e muito menos seus interesses naquela vila tão isolada.Alguns diziam ser um criminoso foragido,outros diziam que era um viajante solitário,outros diziam até que era uma alma penada,que estava vagando para pagar seus pecados,mas o certo é que estavam todos errados.
Afonso Misericórdia era seu nome,Veloz era o seu cavalo,juntos completavam sua missão no sertão da Bahia,missão que ninguém sabia ao certo qual era,Afonso soltou em certa prosa com Arnaldo que trabalhava para alguém muito grande,e que esse trabalho tomava seu sono,
tomou sua família,seus amigos,seu sossego,sua vida.
Os boatos cada vez eram maiores,mas ninguém ousava perguntar.
Na Vila Funchal havia um cabra metido a ser valente,seu nome era José Culhões,já estava ficando enfurecido com o misterioso homem,pois o moço não despertava apenas curiosidade,mas também despertava interesse em todas as mulheres que se encantavam com sua magia e com seus longos cabelos castanhos.
Era 03 de outubro de 1957 quando Afonso Misericórdia fizera sua última visita à Vila Funchal,desceu devagar de seu cavalo,amarrou Veloz junto ao poste,e pediu seu último trago à Afonso,em 5 segundos já havia acabado com sua cachaça,acendeu um pito de palha e se sentou.Na sua frente em sua mesma mesa se sentou José Culhões e lhe perguntou:
-Quem é você cabra misterioso?Acha que pode chegar em minha vila e nem se apresentar?
Afonso o olhou desviando o olhar da aba de seu chapéu e respondeu em um tom bem tranquilo:
-Não sou de seu interesse amigo,venho em uma missão de paz...
Depois dessas palavras Afonso colocou a mão no bolso de traz para tirar alguma coisa,sem pensar duas vezes José Culhões sacou
o revólver e deu dois tiros no jovem Afonso.O rapaz caiu agonizando no chão,segurando com muita força algo entre seus dedos.
José se precipitou e abriu as mãos do morto,tirando dela um colar em formato de coração.
José exibiu o colar para todos que estavam na Venda,enquanto o mostrava o colar se abriu,revelando duas fotos.
Naquele momento o silêncio foi profundo,gritos de desespero foram ouvidos a léguas de distância,uma foto era de Maria Antonieta,mãe de José Culhões,a outra foto era de Afonso Misericórdia,seu irmão desaparecido há 15 anos e que ali estava a procura de seus entes..
José foi encontrado morto dois dias depois,com o mesmo colar apertado em suas mãos e com uma bala cravada no peito...
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
RECEITA PARA UM BOM HERÓI
Afaste-se,sinta-se capaz de tudo.
Ofusque as estrelas,
Gorgeie melodias de acalanto,
Exagere,se embriague de virtudes.
Condene a moralidade medíocre,
Liberte seu espírito para insanidades experimentais,
Prejulgue o que acha torpe,
Se julgue eterno nas memórias.
Solte piruetas por meio de bandeiras e palavras.
Em nenhum momento perca a razão,
Lembre-se que tu és filho do pecado.
Levanta-te,o que fazes derrotado ainda?
O jogo não acabou,jogo em que somos os bispos,
Mas que não podemos mudar de lado em certos momentos banais.
Entorte o vento,doe sua alma.
Vista-se de um herói,nem que seja por um instante,
Derrote todo seu medo,desafie o impossível,
Desvende os mistérios.
Empurre as tempestades,jamais peça socorro.
Rasgue o que acha normal,
E lembre-se,finja entender o encanto do amor.
Jordano Casanova
Ofusque as estrelas,
Gorgeie melodias de acalanto,
Exagere,se embriague de virtudes.
Condene a moralidade medíocre,
Liberte seu espírito para insanidades experimentais,
Prejulgue o que acha torpe,
Se julgue eterno nas memórias.
Solte piruetas por meio de bandeiras e palavras.
Em nenhum momento perca a razão,
Lembre-se que tu és filho do pecado.
Levanta-te,o que fazes derrotado ainda?
O jogo não acabou,jogo em que somos os bispos,
Mas que não podemos mudar de lado em certos momentos banais.
Entorte o vento,doe sua alma.
Vista-se de um herói,nem que seja por um instante,
Derrote todo seu medo,desafie o impossível,
Desvende os mistérios.
Empurre as tempestades,jamais peça socorro.
Rasgue o que acha normal,
E lembre-se,finja entender o encanto do amor.
Jordano Casanova
sábado, 3 de janeiro de 2009
Solidão
Eu estava sozinho em casa,triste,meio perdido,não sabia com quem conversar,não sabia nem o que falar caso alguém fosse me ver.Acendi um cigarro,abri um vinho que certo dia ganhei de um amigo e estava esperando um ocasião especial para abri-lo,mas o que é ocasião especial?É algo que inventam para fingirmos ser felizes,fingirmos ser civilizados,mas isso não vem ao caso.
Liguei também o som,peguei um CD que estava guardado na gaveta do meu quarto,não me recordo bem o nome do artista,mas a música se chamava Sentimental,sentei no sofá surrado marrom,combinava bem comigo,combinava com o tom de mistério que meu apartamento estava,o primeiro cigarro acabou,acabou também a música que eu coloquei para repetir,acendi outro cigarro,enchi minha taça com o vinho,me deliciei com o vinho e com o tabaco,não sabia que a solidão pudesse ser tão boa as vezes,mas em exagero ela nos causa um tumor,maligno,nos faz pensar que não podemos confiar em mais ninguém.
De trago em trago eu pensava na vida,pensava nas pessoas que já se foram e que eu tanto amava,pensava nos amores que tive,nos amores que não aproveitei,nos amores que espantei.Pensava como seria minha vida caso ela não tivesse partido.Mas aqui estou eu,setenta e cinco anos de idade e nada a perder,nada mesmo,o que eu podia perder já perdi,mas não quero morrer nessa casa,ela é triste,minha vida não foi sempre triste,já fui jovem,já sorri,já fiz pessoas sorrirem,do trabalho não tirei dinheiro,mas nele ganhei amigos,mas a maioria já se foi,no trabalho também conheci minha esposa,mas ela também já se foi.
Minha distração é escrever,no papel eu coloco aquilo que não teria coragem de falar pros outros,nem pro meu psicanalista,que diga-se de passagem ganhará uma passagem diretamente ao céu depois de sua morte,só Deus sabe que ele já ouviu de mim.
Fui à praia,andei no calçadão,calçadão onde conheci tanta gente,onde passeava com papai quando era criança,eu nasci em Minas,na cidade de São Gotardo,mas ainda menino vim pro Rio de Janeiro com papai,ele trabalhava em um banco federal,então foi transferido pra cá.Me espantei quando entrei no Rio,foi amor a primeira vista,pode parecer piegas mas é verdade,vi as mulheres tomando sol em Ipanema,vi os homens jogando bola no Recreio,naquele momento decidi que era aqui que iria viver e morrer,só a brisa me bastava,hoje eu vejo que só a brisa não basta,pro ser humano nada basta,e eu talvez seja o mais raivoso dos seres humanos.
Sinto que está em minha hora,então resolvi escrever,para mostrar a todos que já fui feliz.Me mostrando eu posso ensinar aos outros como não se deve viver,dêem valor na vida,nas pessoas,nos amores,nos amigos.Agora vou indo,dessa carta não espero resposta,a resposta de tudo na vida estou tendo agora.
Sentimental
Liguei também o som,peguei um CD que estava guardado na gaveta do meu quarto,não me recordo bem o nome do artista,mas a música se chamava Sentimental,sentei no sofá surrado marrom,combinava bem comigo,combinava com o tom de mistério que meu apartamento estava,o primeiro cigarro acabou,acabou também a música que eu coloquei para repetir,acendi outro cigarro,enchi minha taça com o vinho,me deliciei com o vinho e com o tabaco,não sabia que a solidão pudesse ser tão boa as vezes,mas em exagero ela nos causa um tumor,maligno,nos faz pensar que não podemos confiar em mais ninguém.
De trago em trago eu pensava na vida,pensava nas pessoas que já se foram e que eu tanto amava,pensava nos amores que tive,nos amores que não aproveitei,nos amores que espantei.Pensava como seria minha vida caso ela não tivesse partido.Mas aqui estou eu,setenta e cinco anos de idade e nada a perder,nada mesmo,o que eu podia perder já perdi,mas não quero morrer nessa casa,ela é triste,minha vida não foi sempre triste,já fui jovem,já sorri,já fiz pessoas sorrirem,do trabalho não tirei dinheiro,mas nele ganhei amigos,mas a maioria já se foi,no trabalho também conheci minha esposa,mas ela também já se foi.
Minha distração é escrever,no papel eu coloco aquilo que não teria coragem de falar pros outros,nem pro meu psicanalista,que diga-se de passagem ganhará uma passagem diretamente ao céu depois de sua morte,só Deus sabe que ele já ouviu de mim.
Fui à praia,andei no calçadão,calçadão onde conheci tanta gente,onde passeava com papai quando era criança,eu nasci em Minas,na cidade de São Gotardo,mas ainda menino vim pro Rio de Janeiro com papai,ele trabalhava em um banco federal,então foi transferido pra cá.Me espantei quando entrei no Rio,foi amor a primeira vista,pode parecer piegas mas é verdade,vi as mulheres tomando sol em Ipanema,vi os homens jogando bola no Recreio,naquele momento decidi que era aqui que iria viver e morrer,só a brisa me bastava,hoje eu vejo que só a brisa não basta,pro ser humano nada basta,e eu talvez seja o mais raivoso dos seres humanos.
Sinto que está em minha hora,então resolvi escrever,para mostrar a todos que já fui feliz.Me mostrando eu posso ensinar aos outros como não se deve viver,dêem valor na vida,nas pessoas,nos amores,nos amigos.Agora vou indo,dessa carta não espero resposta,a resposta de tudo na vida estou tendo agora.
Jordano Casanova
Sentimental
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