segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O Fim

O fim se aproxima calado,
Sente prazer em nos pegar desprevenidos.
Não faz ruídos,
Não carrega cheiro nem sabor.
Traz apenas a notícia inesperada.
Ou esperada pelo subconsciente.

O fim está sempre próximo,
Espera atento ao primeiro erro
Para se apresentar.

Nós o carregamos,
Ele não aparece sem convite.
Apresenta-se apenas com nosso consentimento,
Basta aguçá-lo...

Jordano Souza

domingo, 2 de outubro de 2011

Pra nos ajudar

Conte-me segredos,
Diga-me seus medos, receios,
Que volto ao passado
Pra te aliviar.

Abusa-me com desejo,
Assusta-me com expressões,
Mas me jogue na cara
Que queres me amar.

Não esqueça minhas respostas,
Não desdenhe meus gestos,
Não desvie dos meus olhares,
Pois em cada um desses
Há um “eu te amo” em prosa e verso,
Ali calados.

E se eu distanciar,
Ou quem sabe até calar,
Não estranhe, não tenha medo.
Nesse momento
Estarei voltando ao passado
Pra nos ajudar.

Jordano Souza

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Onde

Onde ficaram meus sonhos
E todas as perguntas
Que agonizavam por respostas?

Onde estão meus parentes,
Amigos?
Onde estão as festas,
O primeiro gole,
O primeiro choro por amor?

Onde estão as palavras desperdiçadas,
Os risos contidos,
As gargalhadas abertas?

Onde está o eu,
Onde está o você,
Onde está o "nós"?

Estamos mofados num sótão úmido?
Ou emoldurados numa sala de destaque?

Em fases da vivência nos perdemos.
As vezes nos achamos,
As vezes não.

Nos perdemos por vontade própria,
Por circunstâncias maiores,
Por inconstância.

Enfim...
Talvez você me ache,
Talvez não...

Jordano Souza

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Irracional

Dou-lhe todo meu orgulho, até
Que as palavras não juntem mais
A razão do sentimento que
Construi com seu justificado valor.

Meu jeito em ti, embaraçado
Pelo seu corpo, fez-me crer.
Crer no irracional,
No tão exclamado.

Nossas tempestades em copo d'água
Fizeram cair sobre nós
Algo até então não sentido,ou falado.
Sequer realizado.

Senti-me objeto de uma letra não mais ouvida,
Senti-me de alguém, não mais só meu,
Não mais vazio...
Senti que não há nada em ti que não me completa.

Jordano Souza

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Tomando nota

A algum tempo venho pensando o que é maturidade. Procurei em dicionários, livros, músicas e filmes, mas tudo que encontrei foram definições que não condizem com minhas vivências.
Minha maturidade não apareceu aos poucos, veio como um flash que me fez desacordar por exatamente três dias, num estado de coma profundo.
Quando despertei estava mais velho na mente e nas minhas percepções. Notava em cada olhar à minha volta uma ansiedade imensa de dizerem: “Aqui jaz uma criança”.
Desde então comecei a enxergar a vida do jeito que ela é: Em branco e preto, as vezes colorida, mas sem exagero.


Jordano Souza

domingo, 4 de julho de 2010

Nosso Ego

Nunca estamos bem,
Sempre queremos mais!
Sufocamos de vontades e sonhos
Quase impossíveis.

Não há quem se contente
Com um único amor na vida,
Queremos magoar e ser magoados.
Não pensamos em nada além,
Pensamos apenas em nós mesmos.

O carro da garagem é sempre velho,
A casa é sempre pequena,
O sofá está sempre sujo ou rasgado.
O amor é sempre mal doado,
Mal usado, mal tratado.

Queremos lágrimas
Para aguar nosso jardim,
Queremos sorrisos para desperdiçar alegrias,
Queremos sempre o que não nos importa,
Mas que importa outrem.

E quando o telefone não mais toca,
Quando as cartas não mais chegam,
Quando as flores extraviam,
Percebemos nossos erros
Mortíferos e irreversíveis.

Ai não há mais lágrimas,
Não há mais sorrisos,
Não há mais amor
Que cure
O tempo jogado fora.

Então em prosas
E rimas imperceptíveis
Vamos fingindo não conhecer
O que realmente machuca:
A solidão perambulando
Nosso Ego.

Jordano Souza

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Nota de segunda

As portas se abrem no momento em que deixamos a leveza da simplicidade plainar sobre nossa mente. De um modo lento e suave passamos a observar nós mesmos nas coisas mais brutas e selvagens.

Passamos a ouvir o que realmente devemos seguir. Não o rádio, não a televisão, não os livros, mas sim aquilo que chamamos de coração.

O verdadeiro movimento da vida está sincronizado com nossos próprios passos, com eles decidimos as coisas mais singelas , desde nosso corte de cabelo até as paixões mais arrebatadoras.

Todo ser humano nasce com um instinto selvagem e completamente bom, tal junção torna a raça humana devidamente abençoada.

Mas ao decorrer da vida separamos essas essências, nos agarramos ao instinto selvagem e predador e deixamos o bom para os momentos que nos convém. Tal separação nos tornam mais comuns que tulipas em dia de finados.


Jordano Souza

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Dois

Com pseudônimos fabricados
Vou tecendo a história de nós dois.
Escrever palavras de recordação
Alivia minha alma.

À cada estrofe lembro
Do meu primeiro toque em sua pele.
Mãos trêmulas e frias
Arrancaram sorrisos dos seus olhos.

À cada verso recordo
Das nossas noites nunca vazias,
Aqueles momentos
Imortalizaram nossos corpos em uma só tela.

Porém palavras ainda são insuficientes,
Então recorro à memória,
Nela capto imagens perfeitas
Em cores “Salvadorianas”.

Com a pena e o papel empunhados
Sintetizo nosso desfecho perfeito,
Mostrando a quem quiser ver
A verdade em forma de dois.


Jordano Souza

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Avanço Retrógado

Espanta-me a forma que o mundo vem mudando, numa velocidade que temo não conseguir acompanhar. São carros cada vez mais rápidos, armas cada vez mais potentes, computadores cada vez mais avançados. Pergunto-me qual será o limite da humanidade, e se chegaremos à ver esse tal limite.
Mas de tudo que vem mudando, o que mais me preocupa são as pessoas, estamos perdendo o verdadeiro sabor da vida, o sabor das coisas simples, do natural. Recordo que quando criança tinha um pensamento bastante ingênuo sobre as coisas, sonhava em ser astronauta, pintor, pedreiro, artista de circo. E hoje? Onde estão os sonhos das crianças? Onde estão as crianças? Não as vemos mais nas ruas jogando bola, estão presas à um mundo virtual, isoladas da verdadeira vida.
Ontem mesmo estava numa parada de ônibus, no centro da cidade, tudo estava normal, até que um garoto de apenas quatorze anos foi subir em um dos ônibus, quando colocou o primeiro pé na escada o pobre foi surpreendido com quatro tiros nas costas. Me senti desolado vendo aquela cena, não pude fazer nada, ninguém pode fazer.
Aterrorizei-me mais ainda ao saber que o assassino tinha apenas doze anos. Segundo relatos os dois eram amigos e teriam brigado por um boné, um teria tirado o boné do outro, e o que teve o boné roubado se sentiu “humilhado” perante os amigos e decidiu limpar sua honra.
Não consegui seguir viagem, voltei para casa e me coloquei a pensar sobre o ocorrido, ainda lembrava dos olhos tristes daquele garoto estirado no chão, com roupas simples. Talvez teria tido um futuro brilhante pela frente se não fosse a situação que nosso país, ou melhor, nosso mundo se encontra.
O que mais me impressionou nesse fato foi ouvir algumas pessoas dizendo - “bem feito”,”foi tarde!”,”um a menos pra roubar” – Percebi nessas frases uma vontade gigantesca que a sociedade tem de colocar a culpa em alguém, e é claro que colocam a culpa nos mais fracos, preferem fechar os olhos para a educação medíocre que o governo proporciona para os mais humildes, preferem se isentar de culpa, quando todos nós somos culpados, pois com nosso preconceito também excluímos essas crianças de um convívio saudável na sociedade.
E percebi então onde estão as crianças de hoje em dia, algumas estão trancadas em condomínios com grades enormes, modernos sistemas de segurança, computadores e vídeo - games de última geração.Já as menos abastadas estão tendo que se tornarem adultas precocemente e também tem seus medos: medo de serem julgadas pela sociedade,medo do futuro que as espera. E acabam caindo no mundo da criminalidade e das drogas.
Esse é o resultado desse “avanço” descontrolado, mudam-se as tecnologias, porém as pessoas continuam estagnadas.

Jordano Souza

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ensaio do querer

Quero o calor de um inicio de romance todos os dias, quero sentir o cheiro da paixão efervescendo no ar. Quero esfriar minha barriga, a todo momento que ouvir um tom de voz parecido com a sua.

Os beijos, abraços e carícias já não me bastam. Preciso de algo além do físico, algo que nessas linhas eu não poderia explicar.

Quero a benção de um gozo mundano, quero a insensatez dos desprendidos, quero a religião dos desvirtuados...Quero ou você ou você.

Se por algum instante pensar que não pode me oferecer esse sentimento, esqueça meu nome, minha rua, meu CPF. Pois eu ofereço...


Jordano Souza